Durante séculos, a arte nasceu do contato direto entre a mão, o papel e o material. Lápis, tinta, carvão, pincel. O gesto era definitivo. Cada erro deixava uma marca. Cada acerto carregava intenção.

Hoje, o artista também desenha com uma caneta… mas sobre vidro. Tablets, telas sensíveis ao toque, softwares poderosos. O traço continua sendo humano, mas o ambiente mudou.

A pergunta não é mais “qual é melhor?”
A pergunta é: o que cada uma revela sobre o artista?


O papel: onde o desenho cria caráter

Desenhar no papel é um exercício de presença.

Não existe Ctrl + Z.
O erro ensina.
O traço precisa ser pensado antes de existir.

Por isso, o papel:

  • Desenvolve coordenação e segurança no traço
  • Fortalece a observação e a paciência
  • Cria uma relação física com o desenho

O papel forma base. Ele constrói caráter artístico.
É como aprender a escrever antes de digitar.

Muitos grandes artistas digitais começaram — e continuam — desenhando no papel. Não por nostalgia, mas por fundamento.


O digital: onde a arte ganha velocidade e alcance

A arte digital não elimina o talento — ela amplia possibilidades.

No digital:

  • O erro vira parte do processo, não um fim
  • O tempo de produção diminui
  • O artista testa, experimenta e refina mais
  • A arte nasce pronta para circular no mundo

Hoje, um desenho pode ser criado em casa e visto em segundos por alguém do outro lado do planeta.

A arte digital conversa com:

  • Mercado
  • Redes sociais
  • Animação
  • Games
  • Design
  • Publicidade
  • Educação

Ela não substitui o artista.
Ela exige ainda mais dele.


O mito da rivalidade

Existe uma falsa guerra entre papel e digital.

Mas a verdade é simples:

  • O papel constrói o artista
  • O digital projeta o artista

Quem domina os dois, não depende de um só caminho.

O problema não é a ferramenta.
É usar a ferramenta sem entender o desenho.


O desenhista contemporâneo

O artista de hoje:

  • Entende fundamentos
  • Transita entre mundos
  • Usa tecnologia sem perder identidade
  • Sabe que estilo nasce da prática, não do software

O futuro da arte não está só no papel.
Nem só no digital.

Está no artista que pensa, observa e comunica.


Conclusão

Se você desenha no papel, continue.
Se você desenha no digital, aprofunde.

Mas se você faz os dois, você não está em transição —
você está alinhado com o tempo em que vive.

Porque, no fim, não é o suporte que define a arte.
É a visão de quem segura a caneta — seja ela de grafite ou de pixels.

By Erasmo Nunes

🤩Desenhista, Animador 2D/3D, VFX Artist.

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